BRASÍLIA (Reuters) - O próximo governo vai herdar contas previdenciárias que já representam um dos principais desafios fiscais do país e tendem a ser crescentemente pressionadas pelo processo de rápido envelhecimento da população brasileira.
O tema ainda não foi explorado na campanha presidencial e dificilmente o será, dada sua impopularidade e o momento favorável pelo qual passa a economia. Mas especialitas alertam que o país não poderá adiar por muito tempo uma mudança nas regras de aposentadoria, consideradas generosas na comparação internacional e insustentáveis no longo prazo.
Atualmente, de cada 3 reais recolhidos em tributos, cerca de 1 real é destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões dos trabalhadoras dos setores público e privado.
Essa relação tende a crescer com o aumento da parcela de idosos (acima de 65 anos) na população, prevista para triplicar nos próximos 40 anos, chegando perto de 18 por cento em 2050.
A última reforma ao regime de aposentadoria dos trabalhadores da iniciativa privada (INSS) foi feita em 1999. Para as aposentadorias do funcionalismo público, onde as discrepâncias entre arrecadação e custos são mais graves, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conduziu a aprovação de uma reforma ainda no primeiro mandato, mas ela acabou tendo seus efeitos limitados pela falta de regulamentação.
Após crescer de 1,15 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2002 para 1,78 por cento do PIB em 2006, o déficit do INSS caiu por dois anos seguidos, chegando a 1,20 por cento do PIB em 2008.
No ano seguinte, com a crise global, o déficit voltou a subir e foi a 1,41 por cento do PIB. A última projeção do governo para este ano, quando o mercado de trabalho formal deve bater recorde, elevando as contribuições ao regime, é de um déficit equivalente a 1,36 por cento do PIB.
Esses números não incluem a previdência do funcionalismo, cujo déficit superou o da previdência pública nos últimos dois anos apesar de atender a uma parcela bem menor de trabalhadores --cerca de 940 mil, contra 23,8 milhões do INSS.
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