Um dia tornei-me um ébrio
Na derradeira noite fiquei sóbrio
Uma ilusão estranha que tinha da vida deixava-me atônito
Na esperança de nunca mais ficar amargo e mórbido.
Então, fiquei intransigente e flácido
Ao sentir uma emoção tardia
Que cultivava no meu peito o âmago retardado
E confortava a minha mente fria.
Meu corpo trêmulo e enfraquecido
Maltratado se rendia ao chão árido
Onde vivia a minha última quimera.
Em fim derramei meu pranto
Transgredi meu próprio encanto
Antes de me tornar em fera.
Autor: José Carlos Tibiriçá Pinheiro