JOÃO PESSOA/PB - CAPITAL DO FUTURO

JOÃO PESSOA/PB - CAPITAL DO FUTURO

NOTÍCIA EM TEMPO REAL

segunda-feira, 30 de março de 2009

ENTENDIMENTO SIMPLES DA CRISE MUNDIAL



A linguagem é para que todos entendam. Confira:

O seu Zé tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça 'fiado' aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito (fiado), ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagarão pelo crédito). O gerente do banco do seu Zé, um ousado administrador formado em curso de emibiei, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o quê como garantia? Nada mais do que a pindura dos pinguços... Bom não? Uns seis Zécutivos de bancos, em geral um bando de babacas de gravata, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDI, CCD, NOTEPAPERS, OVNI, etc. ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer. Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a que se façam operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas de venda fiada do seu Zé). Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, tidos como tendo fortes garantias reais nos mercados de 73 países, mundo afora, fazendo, então, a farra dos INVESTMENTS BANKS. Até que alguém descobre que os bêbuns da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Zé vai à falência. E aí... toda a cadeia sifú. Deu pra entender?

E um dos bebuns é o Lula que acredita que é Presidente de um país seguro neste balanço da carruagem...
Fonte: CANARD - Bola Teixeira

sexta-feira, 27 de março de 2009

URGENTE! INFARTO DO CORAÇÃO





Como se Anuncia o Infarto: Os Principais Sintomas, Prevenção e Fatores de Risco.
Neste Artigo:

As doenças cardíacas são, atualmente, as que mais matam pessoas no mundo inteiro. Sabe-se que existem fatores hereditários na origem dessas doenças que são agravados pela associação com os chamados fatores de risco. Os fatores hereditários só poderão ser alterados, no futuro, com a Bioengenharia Genética. Em relação aos fatores de risco, atualmente, cada pessoa deve e pode influir, preventivamente sobre: obesidade, pressão arterial, falta de exercícios, nível de colesterol, fumo, álcool, diabetes, etc".


Sinais e SintomasUm estudo feito por pesquisadores em cerca de 1.600 hospitais americanos, concluiu que uma em cada três pessoas que sofre um ataque cardíaco não sente dor no peito. Em certos grupos de pacientes, como mulheres, diabéticos e idosos, a incidência do sintoma era significativamente menor. Segundo John Canto, coordenador da pesquisa, pouca gente conhece os outros indicativos de um infarto. O resultado é que o paciente demora mais para receber o tratamento correto e o atraso pode ser fatal. Segundo ele, quem não sente as dores corre duas vezes mais risco de morrer ao chegar ao ambulatório. O infarto é a falta de circulação em uma área do músculo cardíaco, cujas células morrem por ficarem sem receber sangue com oxigênio e nutrientes. Segundo Luiz Francisco Ávila, cardiologista do Instituto do Coração (Incor), de São Paulo, a interrupção do fluxo de sangue para o coração pode acontecer de várias maneiras. "A gordura vai se acumulando nas paredes das coronárias, as artérias que irrigam o próprio coração. Com o tempo, forma placas, impedindo que o sangue flua livremente. Assim, basta um espasmo (provocado pelo estresse) para que a passagem da circulação se feche", diz o médico. Outra possibilidade ocorre quando a placa cresce tanto que obstrui completamente a passagem do sangue. Ou seja, o infarto pode acontecer por entupimento (quando as placas de gordura entopem completamente a artéria, o sangue não passa). Assim, as células no trecho que deixou de ser banhado pela circulação acabam morrendo.Segundo o especialista, o principal sinal é a dor muito forte no peito, que pode se irradiar pelo braço esquerdo e pela região do estômago. "Em primeiro lugar, deve-se correr contra o relógio, procurando um atendimento imediato, pois a área do músculo morta cresce como uma bola de neve com o passar do tempo", alerta Ávila. Atenção para os sinais e sintomas de um possível ataque cardíaco:

1) Uma pressão desconfortável no peito ou nas costas que demora mais do que alguns minutos para ir embora.

2) A dor espalha-se para os ombros, pescoço ou braços.

3) A dor no peito vem acompanhada de tonturas, suor, náusea, respiração curta ou falta de ar e sensação de plenitude gástrica. Os médicos alertam que nem todos estes sintomas ocorrem em cada ataque. Algumas vezes podem ir e voltar.


A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) vai preparar estudantes de 12 a 15 anos para atuar em casos de infarto. A SBC, representante oficial dos cursos de treinamento em emergências cardíacas e de ressuscitação do American Heart Association (AHA) no Brasil, está implementando treinamento para habilitar adolescentes a tomar as primeiras providências e prestar os primeiros-socorros a uma pessoa que esteja sofrendo de uma emergência cárdio-respiratória (engasgo, infarto, parada cárdio-respiratória), ou de uma emergência cerebral (derrame). O curso começará em escolas paulistas, no início deste ano, e depois se estenderá por todo o Brasil. Nas aulas, os jovens vão aprender como identificar os ataques cardíacos e quais são os procedimentos de primeiros socorros. Haverá ainda uma simulação de infarto com o uso de um boneco norueguês, que receberá massagem cardíaca e respiração artificial. "O curso tem finalidade educativa, pois visa medidas preventivas contra acidentes, como deixar pequenos objetos perto de crianças menores, e a programas de promoção à saúde que devem ser iniciados na infância e na adolescência", diz o cardiologista Flávio Tarasoutchi, da SBC e diretor do curso. Ele conta que serão abordados temas como estilo de vida, alimentação e esportes durante as palestras. Estatísticas demonstram que os filhos geralmente estão presentes no momento de uma emergência cárdio-respiratória. O treinamento intitulado Ressuscitação Cardiopulmonar na Escola orientará o estudante para que reconheça os primeiros sinais e sintomas dessas emergências; peça ajuda e atue como prestador de primeiros-socorros em qualquer local. Ao longo do curso, o aluno aprenderá todos os passos a serem adotados para o socorro; o reconhecimento precoce do ataque cardíaco, e os primeiros-socorros, que incluem a ressuscitação cárdio-respiratória da vítima que pode estar sofrendo um infarto agudo do miocárdio, mas que ainda não apresentou os sinais de uma parada cardíaca.
Um estudo do cardiologista Carlos Scherr, autor do livro "Prepare seu Coração - Como prevenir a Doença Coronariana", definiu os fatores de risco mais comuns nos casos de doenças coronarianas. O trabalho foi desenvolvido com cerca de 2.500 pacientes (idade média de 64 anos, sendo 69% homens) que passaram por infarto e foram submetidos à cirurgia de revascularização (ponte de safena e/ou mamária) ou a angioplastia. "Os principais fatores de risco são hipertensão arterial, tabagismo, história familiar de eventos coronarianos, alterações de colesterol e o sedentarismo (definido como atividade física realizada menos de 3 vezes por semana)", afirma Scherr. Segundo ele, notou-se que tirando o cigarro às mulheres tem maior presença em todos os fatores comparados aos homens. "Também achamos um maior acúmulo de risco em pacientes com menos de 55 anos comparados aos com mais de 65 anos", diz.Dados apontaram também que uma pessoa que possui dois ou mais destes fatores tem risco aumentado de apresentar obstruções coronarianas. Segundo o médico, as mulheres e os mais jovens em particular têm sinais marcantes de maior risco, o que permitiria um diagnóstico mais precoce, evitando danos definitivos, retardando ou mesmo evitando a doença. "Neste estudo percebemos ser possível, através da história clínica do paciente e do exame físico, a identificação deste grupo mais vulnerável como um todo. Estes dados servem de alerta para aqueles que não desejam desenvolver esta patologia", explica Scherr.


Um teste de sangue simples e barato pode revelar com mais precisão quem tem maior risco de morrer de um ataque cardíaco. A pesquisa feita pela Universidade de Duke, nos Estados Unidos, mostra que mesmo pequenas alterações na quantidade de uma enzima, a CKMB, podem indicar lesão no coração. Segundo os pesquisadores, muitas vezes o exame clínico e o eletrocardiograma não são suficientes para constatar se o paciente corre ou não risco de infarto. A pesquisa mostrou que as dosagens de CKMB e de proponina (outra enzima) são mais confiáveis nesses casos.


Segundo uma pesquisa publicada no jornal americano Heart, a saúde do coração feminino varia com o ciclo menstrual. Durante as semanas imediatamente antes e depois da menstruação, aumenta a ocorrência de dores no peito e infartos. A irrigação do músculo cardíaco também diminui. A causa é a diminuição no organismo dos níveis de estrogênio, hormônio que protege os vasos sanguíneos. Na realidade, a culpa é de uma substância chamada homocisteína, considerada um agressor natural das artérias. Segundo a pesquisa, a diminuição de estrogênio e o aumento de homocisteína prejudicam a circulação e abrem caminho para que ocorram males cardíacos.


Fonte: Copyright © e Health Latin America

quinta-feira, 26 de março de 2009

O HOMEM MAIS RICO DO BRASIL - 2009


Eike Batista

Nascimento
3 de Novembro de 1957 (51 anos)Governador Valadares, Brasil
Ocupação
Empresário
Fortuna
US$ 17,5 bilhões, segundo a Revista Época Negócios, antes das investigações da PF USD
Página oficial:
EBXBlog-X
Eike Fuhrken Batista (Governador Valadares, 3 de novembro de 1957) é um empresário brasileiro, que atua em várias áreas, com destaque para o setores de mineração e petróleo. É conhecido por sua ousadia nos negócios, a ponto de ser taxado às vezes de aventureiro. Tornou-se uma celebridade para o público em geral ao conquistar a maior fortuna do país, avaliada em US$ 17,5 bilhões, segundo a revista Época Negócios (antes da Operação Toque de Midas, da Polícia Federal). Porém, segundo o site Valor Econômico (11 de outubro de 2008), após a crise que abateu os mercado mundial em outubro, a fortuna de Eike recrudesceu cerca de US$ 10 bilhões, passando de US$ 16 bilhões para US$ 6 bilhões?.
Atualmente, está cotado como o Bilionário #61 do mundo, segundo o site da Revista Forbes.

Biografia

O começo
Eike é um dos sete filhos do empresário Eliezer Batista, ministro das Minas e Energia no Governo João Goulart e, ao longo de boa parte da ditadura militar, presidente da Companhia Vale do Rio Doce, então uma empresa estatal.
A mãe nasceu na Alemanha e Eike viveu em sua companhia naquele país, dos 12 aos 23 anos.

Criando empresas
A partir daí, começou a criar novas empresas, ficando famoso no mundo empresarial pela inclinação para assumir riscos. Tornou-se inevitável no mercado a comparação de Eike com seu pai, tido como um empresário conservador e cauteloso.
É acusado de usar informações privilegiadas conseguidas através do cargo de seu pai na direção da Companhia Vale do Rio Doce, quando começou a negociar com minas de ouro.
Na virada do século, Eike era proprietário das seguintes empresas: EBX (empresa holding e encomendas expressas), TVX (mineração), MPX (energia), AMX (recursos hídricos) e MMX (mineração e siderurgia), todas com sede no Rio de Janeiro, onde passa a morar.
O mais bem sucedido de seus negócios é o de mineração: em 1999, a TVX acumulava 300 toneladas de ouro em reservas líquidas, produzia 20 toneladas anuais, contava com mais de 2 mil empregados e começava a atuar na Grécia. A preferência pelo xis na sigla das empresas tem uma explicação dada pelo próprio Eike: "O X representa a multiplicação, acelera a criação da riqueza".
Praticante de off-shore (corrida em lanchas de alta velocidade), conquistou os títulos de campeão brasileiro, americano e mundial entre 1990 e 1991.

Casamento e separação
Em 1991, apesar da oposição da família, casa-se com Luma de Oliveira, atriz e modelo, mas principalmente um dos símbolos sexuais dos homens brasileiros. Ele abandonou sua noiva, a socialite Patrícia Leal, a uma semana da cerimônia de casamento para ficar com Luma. Estiveram casados por 13 anos e tiveram dois filhos, Thor e Olin.
Nos anos seguintes, experimentou alguns revezes nos negócios. Sua fábrica de cosméticos, que tinha Luma como garota-propaganda, e uma fábrica que forneceria jipes para o Exército brasileiro foram fechadas por não darem lucro.
Em 2004, a separação de Eike e Luma repercute intensamente na mídia. A separação coincidiu com um período em que era grande a exposição de Luma no noticiário, pois, rompendo um acordo tácito que teria feito com o marido, voltou a desfilar no Carnaval carioca, posou para revistas masculinas e também para um calendário do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, Quando deste último trabalho, teria se envolvido com um oficial daquela corporação, o capitão Albucacis, o que ambos desmentem.

Depois da separação
Após a separação, sucederam-se fatos negativos na vida empresarial de Eike. Em 2005, a empresa MPX foi multada em quase 3 bilhões de reais por apresentar informações falsas ao Governo brasileiro. Em 2006 Eike foi qualificado pela imprensa internacional como especulador, devido ao escândalo suscitado com a Termoelétrica Ceará, de sua propriedade, que tinha com a Petrobras um contrato considerado lesivo aos interesses do país.
Ainda em 2006, teve que abandonar o projeto de uma siderúrgica na Bolívia, diante de acusações do presidente Evo Morales de desrespeito às leis do país, pois o empreendimento estava localizado na faixa de fronteira e contribuiria para a devastação de florestas. Em entrevista, Eike disse que se tratava de perseguição política, pois seus sócios bolivianos eram opositores de Morales.
No entanto, no mesmo ano, lança ações da MMX na Bovespa e levanta mais de um bilhão de reais de fundos nacionais e estrangeiros com o objetivo de tornar a empresa uma das gigantes mundiais na exploração de minério de ferro. Inicia ainda novos negócios no Rio de Janeiro: o sofisticado restaurante chinês Mr. Lam, na Lagoa, um hospital na Barra da Tijuca e uma empresa de turismo para promover passeios de navio na Baía de Guanabara.
Assume um namoro com a ex-modelo Flávia Sampaio, 23 anos mais jovem, e, de volta às corridas de lancha, bate o recorde da travessia marítima Rio-Santos.

Homem mais rico do Brasil
O brasileiro mais bem cotado é Antonio Ermírio de Moraes, na 77ª posição, com um patrimônio familiar de US$10 bilhões. Outros 17 brasileiros, entre eles o empresário Eike Batista, que já declarou que pretende se tornar o homem mais rico do mundo, aparecem na lista.
Segundo a forbes atualizado no dia 5 de março de 2008 Eike esta na seguinte lista Rank 142 Eike Batista Brazil 51 Anos Fortuna de 6.6 Bilhoes Brazil (ANTIGO)
Hoje Eike BAtista é o homem mais rico do Brasil, ocupando 77ª posição de homem mais rico do mundo na FORBES
Após a venda de parte da mineradora MMX para a gigante multinacional Anglo American por US$ 5,5 bilhões, o empresário Eike Batista, 51 anos, calculou a sua fortuna e chegou à conclusão de que já possui US$ 16,6 bilhões - do total do negócio, R$ 3,3 bilhões irão diretamente para o seu bolso. "Sou o homem mais rico do Brasil", afirmou, segundo reportagem da revista Exame. De acordo com a publicação, e se os cálculos do empresário não estiverem errados, ele seria o 26º homem mais rico do mundo pelo ranking da Forbes.
Além do tamanho da fortuna, impressiona também a velocidade com que ela cresceu, diz a revista. Batista tinha um patrimônio calculado em R$ 1,6 bilhão até 2005, quando era mais conhecido como o ex-marido da modelo Luma de Oliveira. Desde então, aumentou esse montante em mais R$ 15 bilhões em dois anos. Foi o maior bilionário do Brasil, com uma fortuna de US$ 17,5 bilhões, segundo a revista Época Negócios (antes das investigações da PF).
Depois da Investigação da PF
Eike Batista tem sido alvo de investigação de uma operação da Polícia Federal, a qual recebeu ironicamente o nome "Toque de Midas", alusão ao Rei da Mitologia Grega que transformava em ouro tudo aquilo que tocava. Alguns especialistas no setores petrolífero e minerador desconfiavam do rápido e vertiginoso enriquecimento de Eike, levando em conta o fácil êxito de seus negócios em setores demasiado competitivos. A PF investiga possível financiamento ilícito de campanha política que visualizasse facilidade na concessão de licitações em determinadas áreas de exploração mineral no Estado do Mato Grosso. Além disso, também se cogita uma possível fraude no processo licitatório de concessão da Estrada de Ferro do Amapá (EFA), operada pela MMX. O anúncio da operação da PF causou às empresas de Eike, nos dias subseqüentes, uma perda de valor em bolsa de R$ 5,3 bilhões. Segundo a revista Carta Capital, as ações das empresas de Eike desvalorizaram cerca de R$ 10 bilhões na Bolsa de valores em apenas 12 dias.

O Brasileiro mais Rico - 2009
Segundo a revista Forbes em sua lista dos homens mais ricos do mundo, o empresário Eike Batista pulou do 142º para o 61º lugar e é o brasileiro mais bem colocado. Ele aparecia com uma fortuna calculada em US$ 6,6 bilhões, valor que pulou para US$ 7,5 bilhões este ano.

Empresas
Para saber mais sobre as empresas de Eike Batista:
EBX
MMX
Mr Lam
Porto de Peruíbe
Fonte> Wikipédia

O HOMEM MAIS RICO DO MUNDO - 2009

BILL GATES

Biografia
Nascido em uma família de posses — o pai, William H. Gates, era advogado de grandes empresas, e a mãe, Mary Maxwell Gates,era professora da universidade de Washington e pertenceu também à diretoria de vários bancos — Gates e as suas duas irmas, Kristanne, a mais velha e, Libby, a mais nova, frequentaram as melhores escolas particulares de Seattle, sua cidade natal, e Bill também participou do Movimento Escoteiro ainda quando jovem. Bill Gates, que é canhoto[2], foi admitido na prestigiosa Universidade Harvard, (conseguindo 1590 SATs dos 1600 possíveis [3]) mas abandonou o curso de Matemática e Direito no 3° ano, para dedicar-se à Microsoft.
Trabalhou na Taito com o desenvolvimento de software básico para máquinas de jogos eletrônicos (fliperamas) até seus 16 anos. Também trabalhou como pesquisador visitante na University of Massachusetts at Amherst, UMASS, Estados Unidos, quando com 17 anos, desenvolveu junto com Paul Allen um software para leitura de fitas magnéticas, com informações de tráfego de veículos, em um chip Intel 8008. Com esse produto, Gates e Allen criaram uma empresa, a Traf-o-Data, porém os clientes desistiram do negócio quando descobriram a idade dos donos[4].
Gates fez o SAT (teste de admissão nas universidades americanas) e obteve 1590 pontos dentre 1600 possíveis. Com isso, ele entrou em Harvard aos 18 anos, mas abandonou os estudos dois anos depois para se dedicar a uma pequena empresa que ele abrira com Paul Allen: a MicroSoft
Enquanto estudavam em Harvard, os jovens desenvolveram um interpretador da linguagem BASIC para um dos primeiros computadores pessoais a serem lançado nos Estados Unidos - o Altair 8800. Após um modesto sucesso na comercialização deste produto, Gates e Allen fundaram a Microsoft, uma das primeiras empresas no mundo focadas exclusivamente no mercado de programas para computadores pessoais ou PCs.
Gates adquiriu ao longo dos anos uma fama de visionário (apostou no mercado de software na época em que o hardware era considerado muito mais valioso) e de negociador agressivo, chegando muitas vezes a ser acusado por concorrentes da Microsoft de utilizar práticas comerciais desleais.
No ano de 1998, Gates promoveu Steve Ballmer, um amigo de longa data, ao posto de presidente da Microsoft e publicamente passou a ter uma participação menos ativa nos processos decisórios da empresa[5].
Em 2 de março de 2005, ele foi condecorado com o título de Comandante Cavaleiro do Império Britânico [6].
Bill Gates anunciou no dia 16 de junho de 2006, que vai deixar progressivamente o cargo de director da Microsoft até 2008 para poder se ocupar da fundação de caridade Bill & Melinda Gates Foundation.
No dia 27 de Junho de 2008, Bill Gates retirou-se definitivamente da Microsoft para se dedicar inteiramente aos seus projectos filantrópicos[7].
Mesmo tendo anunciado a sua aposentadoria da Microsoft, na prática Bill Gates continuará dedicando 20% do seu tempo (um dia por semana) para assuntos relativos à Microsoft. Ele continua a atuar como chairman da Microsoft e conselheiro no desenvolvimento de projetos-chave. Ele somente não estará nas decisões do dia-a-dia e dedicará mais tempo e energia ao seu trabalho relacionado à saúde e educação na Fundação Bill & Melinda Gates.


A Microsoft
Ver artigo principal: Microsoft
Foi fundada em 1975 por Bill Gates, então com 19 anos, em parceria com Paul Allen. O primeiro produto comercial da empresa foi o Altair BASIC para o MITS Altair (Micro Instrumentation Tlemetry System), produzido no mesmo ano. Em 1980 a empresa deu um passo decisivo ao adquirir da Seattle Computer Products o sistema operativo 86-DOS.

Fortuna
Bill Gates no Fórum Econômico Mundial em 2007.
Gates liderava o ranking dos mais ricos do mundo desde 1995, segundo a revista Forbes. Sua fortuna era estimada em US$ 130 bilhões. [8]
Em 1999, Gates ultrapassou a marca dos US$ 100 bilhões, mas desde 2000 o valor nominal da Microsoft vem caindo após o estouro da internet, e também após várias doações multibilionárias feitas por Gates a projetos filantrópicos.
Em maio de 2006, Gates disse em uma entrevista que gostaria de não ser o homem mais rico do mundo, e que não gosta da atenção que trouxe[9].
Em 2 de junho de 2007 o mexicano Carlos Slim Helu, que aparecia no segundo lugar da lista assume o posto de homem mais rico do mundo com fortuna estimada em 67,8 bilhões de dólares, após ultrapassar o co-fundador da Microsoft.[10]
Em 2008 a lista de bilionários da Forbes, aponta Gates como o terceiro homem mais rico do mundo, com fortuna estimada em 58 bilhões de dólares.[11] Em 2009, mesmo vendo seu patrimônio ser reduzido em 18 bilhões de dólares, retomou a condição de homem mais rico do mundo, segundo a mesma revista, com uma fortuna de 40 bilhões de dólares.[12]


Filantropia
Em 2000, junto com sua esposa Melinda, Gates criou a Fundação Bill e Melinda Gates, uma organização filantrópica que tem por principais objetivos promover a pesquisa sobre a AIDS e outras doenças que atingem os países do terceiro mundo.
Em 2006, Warren Buffett, então o segundo homem mais rico do mundo,[13] integrou o projeto, anunciando seu plano de contribuir com 10 milhões de ações de classe B da companhia Berkshire Hathaway (US$ 30,7 bilhões e aproximadamente)[14], fazendo com que a fundação dobrasse de tamanho.
Segundo um artigo de 2004 da revista Forbes, Gates já doou cerca de 29 bilhões de dólares para a caridade desde o ano de 2000.
Bill Gates tem quatro filhos adotivos.[carece de fontes?


O primeiro computador Pessoal
O primeiro computador pessoal nasceu em 12 de agosto de 1981, concebido por 12 engenheiros que trabalhavam num projeto para a IBM. Tinha 15 metros de altura e pesava 11 toneladas. David Bradley e Don Estridge, chefes do projeto, pediram à Intel que fabricasse as placas de memória, mas ainda faltava o sistema operacional.
O jovem Bill Gates foi a uma pequena empresa que havia desenvolvido o sistema para o processador da Intel e decidiu comprá-lo, pagou cerca de US$ 50 mil, personalizou o programa e vendeu-o por US$ 80 mil, mantendo a licença do produto. Este viria a ser o MS-DOS e posteriormente, o Windows.

terça-feira, 24 de março de 2009

URGENTE! AVC


Médico ensina a reconhecer os sintomas e os fatores de risco do AVC 20/3/2009
O acidente vascular cerebral sofrido pelo deputado Clodovil Hernandes mostra a importância do conhecimento, por parte da população, dos sinais e sintomas desse problema. Os acidentes vasculares cerebrais ou derrames, como são conhecidos pelos leigos, podem ser de dois tipos: isquêmicos, quando falta sangue ao cérebro, ou hemorrágicos, quando acontece um sangramento dentro do cérebro.Nos acidentes hemorrágicos, um vaso sanguíneo, artéria ou veia se rompe e o sangue se espalha. Um bom exemplo de como isso pode ocorrer é a ruptura de um aneurisma. Já os acidentes isquêmicos acontecem quando uma artéria fica obstruída, impedindo o fluxo de sangue normal para as células do cérebro. Dependendo da localização da artéria obstruída, uma área maior ou menor do cérebro ficará sem receber oxigênio e nutrientes.
Como reconhecer um AVC:
Os acidentes vasculares cerebrais são emergências médicas, e o tempo é o fator crucial para permitir um atendimento adequado e melhores chances de recuperação, além de menos sequelas posteriores.
Portanto, é importante lembrar que qualquer pessoa que apresente uma alteração que possa significar uma mudança do funcionamento cerebral deve ser levada a um serviço de emergência para avaliação. Quais os sinais que devem ser observados? Perda súbita da força ou dos movimentos em um dos membros ou face, geralmente atingindo um dos lados do corpo; perda da visão de um dos olhos de forma súbita; dificuldade de equilíbrio do corpo para caminhar ou mesmo se manter de pé; dor de cabeça súbita e muito intensa inesperada. Uma observação importante: todos esses sinais podem ocorrer de forma fugaz com recuperação espontânea, mas mesmo assim a avaliação especializada é indispensável. A prevenção, como sempre, é a melhor opção. Para isso, é preciso conhecer os principais fatores de risco para a ocorrência de um AVC. A hipertensão arterial é a principal causa associada aos derrames. Os hipertensos, se não tratados adequadamente, têm de quatro a seis vezes mais chances de sofrer um AVC. Estudos científicos mostram que, apesar do diagnóstico de hipertensão ser feito com frequência, o tratamento não é seguido na maioria dos casos. Além da hipertensão, outros fatores contribuem para tornar o acidente vascular cerebral uma epidemia real em nossa sociedade. A fibrilação atrial, uma alteração do ritmo do coração, aumenta o risco de derrames. O diabetes e o tabagismo também são vilões para a ocorrência de um AVC.
As opções de tratamento
O cérebro humano, quando atingido por um acidente vascular, pode ser salvo se receber tratamento adequado e em tempo. Os acidentes isquêmicos são os mais freqüentes, respondendo por mais de 85% dos “derrames” -- aqueles causados quando uma artéria fica obstruída por um coágulo, impedindo o sangue de alimentar as células. Existe um tratamento para desobstruir as artérias: trata-se da injeção de uma substância capaz de dissolver esses coágulos – os trombolíticos. Ela atua sobre o coágulo e pode restaurar o fluxo natural de sangue. Infelizmente, poucos pacientes recebem esse tratamento. Mesmo nos Estados Unidos, segundo um trabalho realizado pela Cleveland Clinic de Ohio, somente 2% das vítimas de acidentes vasculares cerebrais recebem o tratamento com trombolíticos. A principal causa para essa pequena utilização está no fato de que o tratamento só é efetivo se for administrado nas primeiras três horas após o início dos sintomas. Além dessa razão, existem contra-indicações ao método que devem ser respeitadas pela equipe que está tratando da vítima do derrame. Um paciente tratado a tempo pode ficar sem déficits neurológicos ou ter as conseqüências do problema bastante diminuídas.
O que deve ser feito
É muito importante prevenir a ocorrência dos AVCs através do controle dos fatores de risco. Além disso, é fundamental que a população reconheça os sintomas dos derrames a tempo e que o tratamento esteja disponível para todos que precisarem.

Fonte: G1Nossas notícias são retiradas na íntegra dos sites de nossos parceiros. Por esse motivo, não podemos alterar o conteúdo das mesmas até em casos de erros de digitação.

segunda-feira, 23 de março de 2009

CARTA DO DESCOBRIMENTO DO BRASIL



Senhor, posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não deixareide também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que --para o bem contar e falar -- o saiba pior que todos fazer!Todavia tome Vossa Alteza minha ignorância por boa vontade, a qual bem certo creia que, para aformosentar nem afear, aqui não há de pôr mais do que aquilo que vi e me pareceu.Da marinhagem e das singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza -- porque onão saberei fazer -- e os pilotos devem ter este cuidado.E portanto, Senhor, do que hei de falar começo:E digo quê:A partida de Belém foi -- como Vossa Alteza sabe, segunda-feira 9 de março. E sábado, 14 do dito mês, entre as 8 e 9 horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grande Canária. E ali andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22do dito mês, às dez horas mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, a saber dailha de São Nicolau, segundo o dito de Pero Escobar, piloto.Na noite seguinte à segunda-feira amanheceu, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com a suanau, sem haver tempo forte ou contrário para poder ser!Fez o capitão suas diligências para o achar, em umas e outras partes. Mas... não apareceu mais!E assim seguimos nosso caminho, por este mar de longo, até que terça-feira das Oitavas dePáscoa, que foram 21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra, estando da dita Ilha -- segundoos pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas -- os quais eram muita quantidade de ervas compridas,a que os mareantes chamam botelho, e assim mesmo outras a que dão o nome de rabo-de-asno.E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam furabuchos.

Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã,com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terraA Terra de Vera Cruz!Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças. E ao sol-posto umas seis léguas da terra, lançamos ancoras, em dezenove braças -- ancoragem limpa. Ali ficamo-nos toda aquela noite.E quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos em direitura à terra, indo os navios pequenos diante -- por dezessete, dezesseis, quinze, catorze, doze, nove braças -- até meia légua da terra,onde todos lançamos ancoras, em frente da boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragemàs dez horas, pouco mais ou menos.E dali avistamos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos que chegaram primeiro.Então lançamos fora os batéis e esquifes. E logo vieram todos os capitães das naus a esta nau do Capitão-mor. E ali falaram. E o Capitão mandou em terra a Nicolau Coelho para ver aquele rio.E tanto que ele começou a ir-se para lá, acudiram pela praia homens aos dois e aos três, demaneira que, quando o batel chegou à boca do rio, já lá estavam dezoito ou vinte.Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, esuas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram. Mas não pôde deles haver fala nem entendimentoque aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Somente arremessou-lhe um barrete vermelho euma carapuça de linho que levava na cabeça, e um sombreiro preto. E um deles lhe arremessouum sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas,como de papagaio. E outro lhe deu um ramal grande de continhas brancas, miúdas que querem parecer de aljôfar, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza. E com isto sevolveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar.À noite seguinte ventou tanto sueste com chuvaceiros que fez caçar as naus. E especialmente a Capitânia. E sexta pela manhã, às oito horas, pouco mais ou menos, por conselho dos pilotos, mandou o Capitão levantar ancoras e fazer vela. E fomos de longo da costa, com os batéis eesquifes amarrados na popa, em direção norte, para ver se achávamos alguma abrigada e bom pouso, onde nós ficássemos, para tomar água e lenha. Não por nos já minguar, mas por nos prevenirmos aqui. E quando fizemos vela estariam já na praia assentados perto do rio obra de sessenta ou setenta homens que se haviam juntado ali aos poucos. Fomos ao longo, e mandou o Capitão aos navios pequenos que fossem mais chegados à terra e, se achassem pouso seguropara as naus, que amainassem.E velejando nós pela costa, na distância de dez léguas do sítio onde tínhamos levantado ferro, acharam os ditos navios pequenos um recife com um porto dentro, muito bom e muito seguro,com uma mui larga entrada. E meteram-se dentro e amainaram. E as naus foram-se chegando,atrás deles. E um pouco antes de sol-pôsto amainaram também, talvez a uma légua do recife,e ancoraram a onze braças.E estando Afonso Lopez, nosso piloto, em um daqueles navios pequenos, foi, por mandado do Capitão, por ser homem vivo e destro para isso, meter-se logo no esquife a sondar o porto dentro.E tomou dois daqueles homens da terra que estavam numa almadia: mancebos e de bons corpos.Um deles trazia um arco, e seis ou sete setas. E na praia andavam muitos com seus arcos e setas; mas não os aproveitou. Logo, já de noite, levou-os à Capitaina, onde foram recebidos commuito prazer e festa.A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam obeiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa,e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador. Metem-nos pela partede dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita a modo de roque de xadrez. E trazem-no ali encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe estorvo no falar,nem no comer e beber.Os cabelos deles são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta antes do que sobre-pente,de boa grandeza, rapados todavia por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte, na parte detrás, uma espécie de cabeleira, de penas de ave amarela, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiço e as orelhas.E andava pegada aos cabelos, pena por pena, com uma confeição branda como, de maneira talque a cabeleira era mui redonda e mui basta, e mui igual, e não fazia míngua mais lavagempara a levantar.O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, aos pés uma alcatifa por estrado;e bem vestido, com um colar de ouro, mui grande, ao pescoço. E Sancho de Tovar, e Simão de Miranda, e Nicolau Coelho, e Aires Corrêa, e nós outros que aqui na nau com ele íamos,sentados no chão, nessa alcatifa. Acenderam-se tochas. E eles entraram. Mas nem sinal decortesia fizeram, nem de falar ao Capitão; nem a alguém. Todavia um deles fitou o colar doCapitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. E também olhou para um castiçal de prata e assim mesmo acenava para a terra e novamente para o castiçal, como se lá também houvesse prata!Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como se os houvesse ali.Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso dele.Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e não lhe queriam pôr a mão.Depois lhe pegaram, mas como espantados.Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel, figos passados.Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa, logo a lançavam fora.Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe puseram a boca; não gostaram dele nada,nem quiseram mais.Trouxeram-lhes água em uma albarrada, provaram cada um o seu bochecho, mas não beberam; apenas lavaram as bocas e lançaram-na fora.Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, e folgou muito com elas,e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por aquilo.Isto tomávamos nós nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levariaas contas e mais o colar, isto não queríamos nós entender, por que lho não havíamos de dar!E depois tornou as contas a quem lhas dera. E então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormirsem procurarem maneiras de encobrir suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam bem rapadas e feitas.O Capitão mandou pôr por baixo da cabeça de cada um seu coxim; e o da cabeleira esforçava-sepor não a estragar. E deitaram um manto por cima deles; e consentindo, aconchegaram-se e adormeceram.Sábado pela manhã mandou o Capitão fazer vela, fomos demandar a entrada, a qual era mui largae tinha seis a sete braças de fundo. E entraram todas as naus dentro, e ancoraram em cinco ouseis braças - ancoradouro que é tão grande e tão formoso de dentro, e tão seguro que podemficar nele mais de duzentos navios e naus. E tanto que as naus foram distribuídas e ancoradas, vieram os capitães todos a esta nau do Capitão-mor.E daqui mandou o Capitão que Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias fossem em terra e levassem aqueles dois homens, e os deixassem ir com seu arco e setas, aos quais mandou dar a cada umuma camisa nova e uma carapuça vermelha e um rosário de contas brancas de osso, que foram levando nos braços, e um cascavel e uma campainha.E mandou com eles, para lá ficar, um mancebo degredado, criado de dom João Telo, de nomeAfonso Ribeiro, para lá andar com eles e saber de seu viver e maneiras.E a mim mandou que fosse com Nicolau Coelho. Fomos assim de frecha direitos à praia.Ali acudiram logo perto de duzentos homens, todos nus, com arcos e setas nas mãos.Aqueles que nós levamos acenaram-lhes que se afastassem e depusessem os arcos. E eles os depuseram. Mas não se afastaram muito. E mal tinham pousado seus arcos quando saíram osque nós levávamos, e o mancebo degredado com eles.E saídos não pararam mais; nem esperavam um pelo outro, mas antes corriam a quem mais correria. E passaram um rio que aí corre, de água doce, de muita água que lhes dava pela braga. E muitos outros com eles.E foram assim correndo para além do rio entre umas moitas de palmeiras onde estavam outros.E ali pararam. E naquilo tinha ido o degredado com um homem que, logo ao sair do batel, o agasalhou e levou até lá. Mas logo o tornaram a nós. E com ele vieram os outros que nósleváramos, os quais vinham já nus e sem carapuças.E então se começaram de chegar muitos; e entravam pela beira do mar para os batéis, até quemais não podiam. E traziam cabaças d'água, e tomavam alguns barris que nós levávamos e enchiam-nos de água e traziam-nos aos batéis. Não que eles de todo chegassem a bordo do batel. Mas junto a ele, lançavam-nos da mão. E nós tomávamo-los. E pediam que lhes dessemalguma coisa.Levava Nicolau Coelho cascavéis e manilhas. E a uns dava um cascavel, e a outros uma manilha,de maneira que com aquela encarna quase que nos queriam dar a mão. Davam-nos daquelesarcos e setas em troca de sombreiros e carapuças de linho, e de qualquer coisa quea gente lhes queria dar.Dali se partiram os outros, dois mancebos, que não os vimos mais.Dos que ali andavam, muitos -- quase a maior parte --traziam aqueles bicos de osso nos beiços.E alguns, que andavam sem eles, traziam os beiços furados e nos buracos traziam uns espelhosde pau, que pareciam espelhos de borracha. E alguns deles traziam três daqueles bicos, a saberum no meio, e os dois nos cabos.E andavam lá outros, quartejados de cores, a saber metade deles da sua própria cor, e metadede tintura preta, um tanto azulada; e outros quartejados d'escaques.Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem novinhas e gentis, com cabelos muito pretose compridos pelas costas; e suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas e tão limpas dascabeleiras que, de as nós muito bem olharmos, não se envergonhavam.Ali por então não houve mais fala ou entendimento com eles, por a barbana deles ser tamanhaque se não entendia nem ouvia ninguém. Acenamos-lhes que se fossem. E assim o fizeram e passaram-se para além do rio. E saíram três ou quatro homens nossos dos batéis, e encheram não sei quantos barris d'água que nós levávamos. E tornamo-nos às naus. E quando assim vínhamos, acenaram-nos que voltássemos. Voltamos, e eles mandaram o degredado e não quiseram queficasse lá com eles, o qual levava uma bacia pequena e duas ou três carapuças vermelhas paralá as dar ao senhor, se o lá houvesse.Não trataram de lhe tirar coisa alguma, antes mandaram-no com tudo. Mas então BartolomeuDias o fez outra vez tornar, que lhe desse aquilo. E ele tornou e deu aquilo, em vista de nós, aaquele que o da primeira agasalhara. E então veio-se, e nós levamo-lo.Esse que o agasalhou era já de idade, e andava por galanteria, cheio de penas, pegadas pelocorpo, que parecia seteado como São Sebastião. Outros traziam carapuças de penas amarelas;e outros, de vermelhas; e outros de verdes. E uma daquelas moças era toda tingida de baixo acima, daquela tintura e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha tão graciosa quea muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhe tais feições envergonhara, por não terem as suascomo ela. Nenhum deles era fanado, mas todos assim como nós.E com isto nos tornamos, e eles foram-se.À tarde saiu o Capitão-mor em seu batel com todos nós outros capitães das naus em seus batéisa folgar pela baía, perto da praia. Mas ninguém saiu em terra, por o Capitão o não querer,apesar de ninguém estar nela. Apenas saiu -- ele com todos nós -- em um ilhéu grande que estána baía, o qual, aquando baixamar, fica mui vazio. Com tudo está de todas as partes cercado deágua, de sorte que ninguém lá pode ir, a não ser de barco ou a nado.Ali folgou ele, e todos nós, bem uma hora e meia. E pescaram lá, andando alguns marinheiros com um chinchorro; e mataram peixe miúdo, não muito. E depois volvemo-nos às naus, já bem noite.Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão ir ouvir missa e sermão naquele ilhéu.E mandou a todos os capitães que se arranjassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito.Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu, e dentro levantar um altar mui bem arranjado.E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual disse o padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes que todos assistiram, a qualmissa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.Ali estava com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saíra de Belém, a qual esteve semprebem alta, da parte do Evangelho.Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou danossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, queveio muito a propósito, e fez muita devoção.Enquanto assistimos à missa e ao sermão, estaria na praia outra tanta gente, pouco mais oumenos, como a de ontem, com seus arcos e setas, e andava folgando. E olhando-nos, sentaram.E depois de acabada a missa, quando nós sentados atendíamos a pregação, levantaram-se muitos deles e tangeram corno ou buzina e começaram a saltar e dançar um pedaço.E alguns deles se metiam em almadias -- duas ou três que lá tinham -- as quais não são feitascomo as que eu vi; apenas são três traves, atadas juntas. E ali se metiam quatro ou cinco, ouesses que queriam, não se afastando quase nada da terra, só até onde podiam tomar pé.Acabada a pregação encaminhou-se o Capitão, com todos nós, para os batéis, com nossa bandeira alta. Embarcamos e fomos indo todos em direção à terra para passarmos ao longo por onde eles estavam, indo na dianteira, por ordem do Capitão, Bartolomeu Dias em seu esquife, com um paude uma almadia que lhes o mar levara, para o entregar a eles. E nós todos trás dele, a distânciade um tiro de pedra.Como viram o esquife de Bartolomeu Dias, chegaram-se logo todos à água, metendo-se nela até onde mais podiam. Acenaram-lhes que pousassem os arcos e muitos deles os iam logopôr em terra; e outros não os punham.Andava lá um que falava muito aos outros, que se afastassem. Mas não já que a mim meparecesse que lhe tinham respeito ou medo. Este que os assim andava afastando trazia seu arco e setas. Estava tinto de tintura vermelha pelos peitos e costas e pelos quadris, coxas e pernas até baixo, mas os vazios com a barriga e estômago eram de sua própria cor. E a tintura era tãovermelha que a água lha não comia nem desfazia. Antes, quando saía da água, era mais vermelho.Saiu um homem do esquife de Bartolomeu Dias e andava no meio deles, sem implicarem nadacom ele, e muito menos ainda pensavam em fazer-lhe mal. Apenas lhe davam cabaças d'água; e acenavam aos do esquife que saíssem em terra. Com isto se volveu Bartolomeu Dias ao Capitão.E viemo-nos às naus, a comer, tangendo trombetas e gaitas, sem os mais constranger. E eles tornaram-se a sentar na praia, e assim por então ficaram.Neste ilhéu, onde fomos ouvir missa e sermão, espraia muito a água e descobre muita areia emuito cascalho. Enquanto lá estávamos foram alguns buscar marisco e não no acharam.Mas acharam alguns camarões grossos e curtos, entre os quais vinha um muito grande e muito grosso; que em nenhum tempo o vi tamanho. Também acharam cascas de berbigões e de amêijoas, mas não toparam com nenhuma peça inteira. E depois de termos comido vieram logo todos os capitães a esta nau, por ordem do Capitão-mor, com os quais ele se aportou; e eu na companhia.E perguntou a todos se nos parecia bem mandar a nova do achamento desta terra a Vossa Alteza pelo navio dos mantimentos, para a melhor mandar descobrir e saber dela mais do que nóspodíamos saber, por irmos na nossa viagem.E entre muitas falas que sobre o caso se fizeram foi dito, por todos ou a maior parte, que seriamuito bem. E nisto concordaram. E logo que a resolução foi tomada, perguntou mais, se seria bem tomar aqui por força um par destes homens para os mandar a Vossa Alteza, deixando aqui emlugar deles outros dois destes degredados.E concordaram em que não era necessário tomar por força homens, porque costume era dos que assim à força levavam para alguma parte dizerem que há de tudo quanto lhes perguntam; e que melhor e muito melhor informação da terra dariam dois homens desses degredados que aqui deixássemos do que eles dariam se os levassem por ser gente que ninguém entende. Nem eles cedo aprenderiam a falar para o saberem tão bem dizer que muito melhor estoutros o não digam quando cá Vossa Alteza mandar.E que portanto não cuidássemos de aqui por força tomar ninguém, nem fazer escândalo; mas sim, para os de todo amansar e apaziguar, unicamente de deixar aqui os dois degredadosquando daqui partíssemos.E assim ficou determinado por parecer melhor a todos.Acabado isto, disse o Capitão que fôssemos nos batéis em terra. E ver-se-ia bem, quejando erao rio. Mas também para folgarmos. Fomos todos nos batéis em terra, armados; e a bandeira conosco. Eles andavam ali na praia, à boca do rio, para onde nós íamos; e, antes que chegássemos, pelo ensino que dantes tinham, puseram todos os arcos, e acenaram que saíssemos. Mas, tantoque os batéis puseram as proas em terra, passaram-se logo todos além do rio, o qual não é mais ancho que um jogo de mancal. E tanto que desembarcamos, alguns dos nossos passaram logo o rio,e meteram-se entre eles. E alguns aguardavam; e outros se afastavam. Com tudo, a coisa era de maneira que todos andavam misturados. Eles davam desses arcos com suas setas por sombreirose carapuças de linho, e por qualquer coisa que lhes davam. Passaram além tantos dos nossos e andaram assim misturados com eles, que eles se esquivavam, e afastavam-se; e iam alguns para cima, onde outros estavam. E então o Capitão fez que o tomassem ao colo dois homens e passou o rio, e fez tornar a todos. A gente que ali estava não seria mais que aquela do costume.Mas logo que o Capitão chamou todos para trás, alguns se chegaram a ele, não por oreconhecerem por Senhor, mas porque a gente, nossa, já passava para aquém do rio. Ali falavame traziam muitos arcos e continhas, daquelas já ditas, e resgatavam-nas por qualquer coisa, de tal maneira que os nossos levavam dali para as naus muitos arcos, e setas e contas.E então tornou-se o Capitão para aquém do rio. E logo acudiram muitos à beira dele.Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal.Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvasassim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma.Também andava lá outra mulher, nova, com um menino ou menina, atado com um pano aos peitos,de modo que não se lhe viam senão as perninhas. Mas nas pernas da mãe, e no resto, nãohavia pano algum.

Em seguida o Capitão foi subindo ao longo do rio, que corre rente à praia. E ali esperou por umvelho que trazia na mão uma pá de almadia. Falou, enquanto o Capitão estava com ele, napresença de todos nós; mas ninguém o entendia, nem ele a nós, por mais coisas que a gente lhe perguntava com respeito a ouro, porque desejávamos saber se o havia na terra.Trazia este velho o beiço tão furado que lhe cabia pelo buraco um grosso dedo polegar. E trazia metido no buraco uma pedra verde, de nenhum valor, que fechava por fora aquele buraco. E o Capitão lha fez tirar. E ele não sei que diabo falava e ia com ela para a boca do Capitão para lha meter. Estivemos rindo um pouco e dizendo chalaças sobre isso. E então enfadou-se o Capitão, e deixou-o. E um dos nossos deu-lhe pela pedra um sombreiro velho; não por ela valer algumacoisa, mas para amostra. E depois houve-a o Capitão, creio, para mandar com as outras coisasa Vossa Alteza.Andamos por aí vendo o ribeiro, o qual é de muita água e muito boa. Ao longo dele há muitas palmeiras, não muito altas; e muito bons palmitos. Colhemos e comemos muitos deles.Depois tornou-se o Capitão para baixo para a boca do rio, onde tínhamos desembarcado.E além do rio andavam muitos deles dançando e folgando, uns diante os outros, sem se tomarem pelas mãos. E faziam-no bem.Passou-se então para a outra banda do rio Diogo Dias, que fora almoxarife de Sacavém,o qual é homem gracioso e de prazer. E levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita.E meteu-se a dançar com eles, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam e andavam comele muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem fez ali muitas voltas ligeiras, andando nochão, e salto real, de que se eles espantavam e riam e folgavam muito. E conquanto com aquiloos segurou e afagou muito, tomavam logo uma esquiveza como de animais montezes, e foram-separa cima.E então passou o rio o Capitão com todos nós, e fomos pela praia, de longo, ao passo que osbatéis iam rentes à terra. E chegamos a uma grande lagoa de água doce que está perto da praia, porque toda aquela ribeira do mar é apaulada por cima e sai a água por muitos lugares.E depois de passarmos o rio, foram uns sete ou oito deles meter-se entre os marinheiros que se recolhiam aos batéis. E levaram dali um tubarão que Bartolomeu Dias matou. E levavam-lhoe lançou-o na praia.Bastará que até aqui, como quer que se lhes em alguma parte amansassem, logo de uma mão para outra se esquivavam, como pardais do cevadouro. Ninguém não lhes ousa falar de rijo para nãose esquivarem mais. E tudo se passa como eles querem -- para os bem amansarmos !Ao velho com quem o Capitão havia falado, deu-lhe uma carapuça vermelha. E com toda aconversa que com ele houve, e com a carapuça que lhe deu tanto que se despediu e começou a passar o rio, foi-se logo recatando. E não quis mais tornar do rio para aquém. Os outros dois o Capitão teve nas naus, aos quais deu o que já ficou dito, nunca mais aqui apareceram -- fatos deque deduzo que é gente bestial e de pouco saber, e por isso tão esquiva. Mas apesar de tudo isso andam bem curados, e muito limpos. E naquilo ainda mais me convenço que são como aves, ou alimárias montezinhas, as quais o ar faz melhores penas e melhor cabelo que às mansas, porque os seus corpos são tão limpos e tão gordos e tão formosos que não pode ser mais! E isto me faz presumir que não tem casas nem moradias em que se recolham; e o ar em que se criam os faz tais. Nós pelo menos não vimos até agora nenhumas casas, nem coisa que se pareça com elas.Mandou o Capitão aquele degredado, Afonso Ribeiro, que se fosse outra vez com eles. E foi; e andou lá um bom pedaço, mas a tarde regressou, que o fizeram eles vir: e não o quiseram lá consentir. E deram- lhe arcos e setas; e não lhe tomaram nada do seu. Antes, disse ele, que lhe tomara um deles umas continhas amarelas que levava e fugia com elas, e ele se queixou e osoutros foram logo após ele, e lhas tomaram e tornaram-lhas a dar; e então mandaram-no vir.Disse que não vira lá entre eles senão umas choupaninhas de rama verde e de feteirasmuito grandes, como as de Entre Douro e Minho. E assim nos tornamos às naus, já quasenoite, a dormir.Segunda-feira, depois de comer, saímos todos em terra a tomar água. Ali vieram então muitos;mas não tantos como as outras vezes. E traziam já muito poucos arcos. E estiveram um pouco afastados de nós; mas depois pouco a pouco misturaram-se conosco; e abraçavam-nos e folgavam; mas alguns deles se esquivavam logo. Ali davam alguns arcos por folhas de papel e por alguma carapucinha velha e por qualquer coisa. E de tal maneira se passou a coisa que bem vinte ou trinta pessoas das nossas se foram com eles para onde outros muitos deles estavam com moças e mulheres. E trouxeram de lá muitos arcos e barretes de penas de aves, uns verdes, outrosamarelos, dos quais creio que o Capitão há de mandar uma amostra a Vossa Alteza.E segundo diziam esses que lá tinham ido, brincaram com eles. Neste dia os vimos mais de pertoe mais à nossa vontade, por andarmos quase todos misturados: uns andavam quartejados daquelas tinturas, outros de metades, outros de tanta feição como em pano de ras, e todos com os beiços furados, muitos com os ossos neles, e bastantes sem ossos. Alguns traziam uns ouriços verdes, de árvores, que na cor queriam parecer de castanheiras, embora fossem muito mais pequenos.E estavam cheios de uns grãos vermelhos, pequeninos que, esmagando-se entre os dedos, se desfaziam na tinta muito vermelha de que andavam tingidos. E quanto mais se molhavam, tantomais vermelhos ficavam.Todos andam rapados até por cima das orelhas; assim mesmo de sobrancelhas e pestanas.Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita pretada largura de dois dedos.E o Capitão mandou aquele degredado Afonso Ribeiro e a outros dois degredados que fossem meter-se entre eles; e assim mesmo a Diogo Dias, por ser homem alegre, com que eles folgavam. E aos degredados ordenou que ficassem lá esta noite.Foram-se lá todos; e andaram entre eles. E segundo depois diziam, foram bem uma légua e meia a uma povoação, em que haveria nove ou dez casas, as quais diziam que eram tão compridas, cada uma, como esta nau capitaina. E eram de madeira, e das ilhargas de tábuas, e cobertas de palha,de razoável altura; e todas de um só espaço, sem repartição alguma, tinham de dentro muitos esteios; e de esteio a esteio uma rede atada com cabos em cada esteio, altas, em que dormiam.E de baixo, para se aquentarem, faziam seus fogos. E tinha cada casa duas portas pequenas, uma numa extremidade, e outra na oposta. E diziam que em cada casa se recolhiam trinta ou quarenta pessoas, e que assim os encontraram; e que lhes deram de comer dos alimentos que tinham, asaber muito inhame, e outras sementes que na terra dá, que eles comem. E como se fazia tarde fizeram-nos logo todos tornar; e não quiseram que lá ficasse nenhum. E ainda, segundo diziam, queriam vir com eles.Resgataram lá por cascavéis e outras coisinhas de pouco valor, que levavam, papagaiosvermelhos, muito grandes e formosos, e dois verdes pequeninos, e carapuças de penas verdes,e um pano de penas de muitas cores, espécie de tecido assaz belo, segundo Vossa Alteza todasestas coisas verá, porque o Capitão vo-las há de mandar, segundo ele disse.E com isto vieram; e nós tornamo-nos às naus.Terça-feira, depois de comer, fomos em terra, fazer lenha, e para lavar roupa. Estavam na praia, quando chegamos, uns sessenta ou setenta, sem arcos e sem nada. Tanto que chegamos, vieramlogo para nós, sem se esquivarem. E depois acudiram muitos, que seriam bem duzentos, todos sem arcos. E misturaram-se todos tanto conosco que uns nos ajudavam a acarretar lenha e metê-las nos batéis. E lutavam com os nossos, e tomavam com prazer. E enquanto fazíamos a lenha, construíam dois carpinteiros uma grande cruz de um pau que se ontem para isso cortara.Muitos deles vinham ali estar com os carpinteiros. E creio que o faziam mais para verem a ferramenta de ferro com que a faziam do que para verem a cruz, porque eles não tem coisa que de ferro seja, e cortam sua madeira e paus com pedras feitas como cunhas, metidas em um pau entre duas talas, mui bem atadas e por tal maneira que andam fortes, porque lhas viram lá.Era já a conversação deles conosco tanta que quase nos estorvavam no que havíamos de fazer.E o Capitão mandou a dois degredados e a Diogo Dias que fossem lá à aldeia e que de modoalgum viessem a dormir às naus, ainda que os mandassem embora. E assim se foram.Enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios essas árvores; verdes uns, e pardos, outros, grandes e pequenos, de sorte que me parece que haverá muitosnesta terra. Todavia os que vi não seriam mais que nove ou dez, quando muito. Outras aves não vimos então, a não ser algumas pombas- seixeiras, e pareceram-me maiores bastante do que as de Portugal. Vários diziam que viram rolas, mas eu não as vi. Todavia segundo os arvoredos são mui muitos e grandes, e de infinitas espécies, não duvido que por esse sertão haja muitas aves!E cerca da noite nós volvemos para as naus com nossa lenha.Eu creio, Senhor, que não dei ainda conta aqui a Vossa Alteza do feitio de seus arcos e setas.Os arcos são pretos e compridos, e as setas compridas; e os ferros delas são canas aparadas, conforme Vossa Alteza verá alguns que creio que o Capitão a Ela há de enviar.Quarta-feira não fomos em terra, porque o Capitão andou todo o dia no navio dos mantimentos a despejá-lo e fazer levar às naus isso que cada um podia levar. Eles acudiram à praia, muitos, segundo das naus vimos. Seriam perto de trezentos, segundo Sancho de Tovar que para lá foi.Diogo Dias e Afonso Ribeiro, o degredado, aos quais o Capitão ontem ordenara que de todamaneira lá dormissem, tinham voltado já de noite, por eles não quererem que lá ficassem.E traziam papagaios verdes; e outras aves pretas, quase como pegas, com a diferença de terem o bico branco e rabos curtos. E quando Sancho de Tovar recolheu à nau, queriam vir com ele, alguns; mas ele não admitiu senão dois mancebos, bem dispostos e homens de prol.Mandou pensar e curá-los mui bem essa noite. E comeram toda a ração que lhes deram, emandou dar-lhes cama de lençóis, segundo ele disse. E dormiram e folgaram aquela noite. E não houve mais este dia que para escrever seja.Quinta-feira, derradeiro de abril, comemos logo, quase pela manhã, e fomos em terra por maislenha e água. E em querendo o Capitão sair desta nau, chegou Sancho de Tovar com seus dois hóspedes. E por ele ainda não ter comido, puseram-lhe toalhas, e veio-lhe comida. E comeu.Os hóspedes, sentaram-no cada um em sua cadeira. E de tudo quanto lhes deram, comeram muibem, especialmente lacão cozido frio, e arroz. Não lhes deram vinho por Sancho de Tovar dizerque o não bebiam bem.Acabado o comer, metemo-nos todos no batel, e eles conosco. Deu um grumete a um deles uma armadura grande de porco montês, bem revolta. E logo que a tomou meteu-a no beiço; e porque se lhe não queria segurar, deram-lhe uma pouca de cera vermelha. E ele ajeitou-lhe seu adereço da parte de trás de sorte que segurasse, e meteu-a no beiço, assim revolta para cima; e ia tãocontente com ela, como se tivesse uma grande jóia. E tanto que saímos em terra, foi-se logo comela. E não tornou a aparecer lá.Andariam na praia, quando saímos, oito ou dez deles; e de aí a pouco começaram a vir.E parece-me que viriam este dia a praia quatrocentos ou quatrocentos e cinqüenta. Alguns deles traziam arcos e setas; e deram tudo em troca de carapuças e por qualquer coisa que lhes davam.Comiam conosco do que lhes dávamos, e alguns deles bebiam vinho, ao passo que outros o não podiam beber. Mas quer-me parecer que, se os acostumarem, o hão de beber de boa vontade!Andavam todos tão bem dispostos e tão bem feitos e galantes com suas pinturas que agradavam. Acarretavam dessa lenha quanta podiam, com mil boas vontades, e levavam-na aos batéis. E estavam já mais mansos e seguros entre nós do que nós estávamos entre eles.Foi o Capitão com alguns de nós um pedaço por este arvoredo até um ribeiro grande, e de muita água, que ao nosso parecer é o mesmo que vem ter à praia, em que nós tomamos água. Ali descansamos um pedaço, bebendo e folgando, ao longo dele, entre esse arvoredo que é tanto e tamanho e tão basto e de tanta qualidade de folhagem que não se pode calcular. Há lá muitas palmeiras, de que colhemos muitos e bons palmitos.Ao sairmos do batel, disse o Capitão que seria bom irmos em direitura à cruz que estava encostadaa uma árvore, junto ao rio, a fim de ser colocada amanhã, sexta-feira, e que nos puséssemos todosde joelhos e a beijássemos para eles verem o acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos.E a esses dez ou doze que lá estavam, acenaram- lhes que fizessem o mesmo; e logoforam todos beijá-la.Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriamlogo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências.E portanto se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem,não duvido que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar, uma vez que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a homens bons. E o Ele nos para aqui trazer creio que não foi sem causa.
E portanto Vossa Alteza, pois tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar dasalvação deles. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim!Eles não lavram nem criam. Nem há aqui boi ou vaca, cabra, ovelha ou galinha, ou qualqueroutro animal que esteja acostumado ao viver do homem. E não comem senão deste inhame, deque aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam.E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quantotrigo e legumes comemos.Nesse dia, enquanto ali andavam, dançaram e bailaram sempre com os nossos, ao som de um tamboril nosso, como se fossem mais amigos nossos do que nós seus. Se lhes a gente acenava,se queriam vir às naus, aprontavam-se logo para isso, de modo tal, que se os convidáramosa todos, todos vieram. Porém não levamos esta noite às naus senão quatro ou cinco; a saber, o Capitão-mor, dois; e Simão de Miranda, um que já trazia por pagem; e Aires Gomes a outro,pagem também. Os que o Capitão trazia, era um deles um dos seus hóspedes que lhe haviamtrazido a primeira vez quando aqui chegamos -- o qual veio hoje aqui vestido na sua camisa,e com ele um seu irmão; e foram esta noite mui bem agasalhados tanto de comida como decama, de colchões e lençóis, para os mais amansar.E hoje que é sexta-feira, primeiro dia de maio, pela manhã, saímos em terra com nossa bandeira;e fomos desembarcar acima do rio, contra o sul onde nos pareceu que seria melhor arvorar a cruz, para melhor ser vista. E ali marcou o Capitão o sítio onde haviam de fazer a cova para a fincar.E enquanto a iam abrindo, ele com todos nós outros fomos pela cruz, rio abaixo onde ela estava.E com os religiosos e sacerdotes que cantavam, à frente, fomos trazendo-a dali, a modo deprocissão. Eram já aí quantidade deles, uns setenta ou oitenta; e quando nos assim viram chegar, alguns se foram meter debaixo dela, ajudar-nos. Passamos o rio, ao longo da praia; e fomoscolocá-la onde havia de ficar, que será obra de dois tiros de besta do rio. Andando-se ali nisto,viriam bem cento cinqüenta, ou mais. Plantada a cruz, com as armas e a divisa de Vossa Alteza,que primeiro lhe haviam pregado, armaram altar ao pé dela.Ali disse missa o padre frei Henrique, a qual foi cantada e oficiada por esses já ditos.Ali estiveram conosco, a ela, perto de cinqüenta ou sessenta deles, assentados todos de joelhoassim como nós. E quando se veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles se levantaram conosco, e alçaram as mãos, estando assim até se chegar ao fim;e então tornaram-se a assentar, como nós. E quando levantaram a Deus, que nos pusemos de joelhos, eles se puseram assim como nós estávamos, com as mãos levantadas, e em tal maneira sossegados que certifico a Vossa Alteza que nos fez muita devoção.Estiveram assim conosco até acabada a comunhão; e depois da comunhão, comungaram esses religiosos e sacerdotes; e o Capitão com alguns de nós outros. E alguns deles, por o Sol sergrande, levantaram-se enquanto estávamos comungando, e outros estiveram e ficaram.Um deles, homem de cinqüenta ou cinqüenta e cinco anos, se conservou ali com aqueles queficaram. Esse, enquanto assim estávamos, juntava aqueles que ali tinham ficado, e aindachamava outros. E andando assim entre eles, falando-lhes, acenou com o dedo para o altar,e depois mostrou com o dedo para o céu, como se lhes dissesse alguma coisa de bem;e nós assim o tomamos!Acabada a missa, tirou o padre a vestimenta de cima, e ficou na alva; e assim se subiu, junto aoaltar, em uma cadeira; e ali nos pregou o Evangelho e dos Apóstolos cujo é o dia, tratando no fimda pregação desse vosso prosseguimento tão santo e virtuoso, que nos causou mais devoção.Esses que estiveram sempre à pregação estavam assim como nós olhando para ele. E aqueleque digo, chamava alguns, que viessem ali. Alguns vinham e outros iam-se; e acabada a pregação, trazia Nicolau Coelho muitas cruzes de estanho com crucifixos, que lhe ficaram ainda da outravinda. E houveram por bem que lançassem a cada um sua ao pescoço. Por essa causa se assentouo padre frei Henrique ao pé da cruz; e ali lançava a sua a todos -- um a um -- ao pescoço, atadaem um fio, fazendo-lha primeiro beijar e levantar as mãos. Vinham a isso muitos; e lançavam-nas todas, que seriam obra de quarenta ou cinqüenta. E isto acabado -- era já bem uma hora depois do meio dia -- viemos às naus a comer, onde o Capitão trouxe consigo aquele mesmo que fez aosoutros aquele gesto para o altar e para o céu, (e um seu irmão com ele). A aquele fez muita honrae deu-lhe uma camisa mourisca; e ao outro uma camisa destoutras.E segundo o que a mim e a todos pareceu, esta gente, não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, do que entenderem-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer como nósmesmos; por onde pareceu a todos que nenhuma idolatria nem adoração têm. E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre eles mais devagar ande, que todos serão tornados e convertidos ao desejo de Vossa Alteza. E por isso, se alguém vier, não deixe logo de vir clérigopara os batizar; porque já então terão mais conhecimentos de nossa fé, pelos dois degredados que aqui entre eles ficam, os quais hoje também comungaram.Entre todos estes que hoje vieram não veio mais que uma mulher, moça, a qual esteve sempre à missa, à qual deram um pano com que se cobrisse; e puseram-lho em volta dela. Todavia, ao sentar-se, não se lembrava de o estender muito para se cobrir. Assim, Senhor, a inocênciadesta gente é tal que a de Adão não seria maior -- com respeito ao pudor.Ora veja Vossa Alteza quem em tal inocência vive se se convertera, ou não, se lhe ensinaremo que pertence à sua salvação.Acabado isto, fomos perante eles beijar a cruz. E despedimo-nos e fomos comer.Creio, Senhor, que, com estes dois degredados que aqui ficam, ficarão mais dois grumetes,que esta noite se saíram em terra, desta nau, no esquife, fugidos, os quais não vieram mais.E cremos que ficarão aqui porque de manhã, prazendo a Deus fazemos nossa partida daqui.Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bemvinte ou vinte e cinco léguas de costa.Traz ao longo do mar em algumas partes grandes barreiras, umas vermelhas, e outras brancas;e a terra de cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia...muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande; porque aestender olhos, não podíamos ver senão terra e arvoredos - terra que nos parecia muito extensa.Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro;nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águassão muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo;por causa das águas que tem!Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente.E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvessemais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava.Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, asaber, acrescentamento da nossa fé!E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe. Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assimpelo miúdo.E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa quede Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que,por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro --o que d'Ela receberei em muita mercê.Beijo as mãos de Vossa Alteza.Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.Pero Vaz de Caminha.

terça-feira, 17 de março de 2009

INTERNACIONALIZAÇÃO DA AMAZONIA


Cristovam Buarque

Durante debate em uma Universidade, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha.

De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o pais onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.


(*) Cristovam Buarque, 58, doutor em economia e professor do Departamento de Economia da UnB (Universidade de Brasília), foi governador do Distrito Federal pelo PT (1995-98). Autor, entre outras obras, de "A Segunda Abolição" (editora Paz e Terra).

FAGULHAS DO TEMPO

José Carlos Tibiriçá Pinheiro


O MUNDO E OS HOMENS se transformaram ao longo dos tempos. Estas transformações se sucedem de forma explicita e espantosa, seja nas mudanças dos hábitos, conceitos, valores e do desenvolvimento, na reação da natureza diante da degradação humana e na poluição das reservas essenciais para nossa sobrevivência.
Os rios, o mar e o ar estão poluídos. As florestas desmatadas e as reservas minerais desaparecendo, além da falta de água potável no planeta, estes sintomas da ação insana do homem para com a natureza contaminam negativamente a vida o bem maior da criatura.
O futuro será tenebroso, onde a escuridão prevalecerá e a incredulidade acentuada do homem fará com que ele perca os seus valores e o sentido da existência. Ao longo do tempo, verificamos que a humanidade vem mudando radicalmente os seus conceitos com relação à dignidade, o amor, a justiça, a paz, a fé, estes valores não são mais visto como prioridade, como ícone de sustentação da base familiar. A perda abrupta da coerência, a estúpida fraqueza da índole e o coração de pedra do homem vem transformando e degenerando a criatura num mar de falsa modestia e distante de Deus. Observamos, entretanto, que o homem engana e deixa-se enganar e, partindo deste principio, cremos com convicção que o seu coração é tremendamente corrupto. O egoísmo e a inveja contaminaram de tal forma a humanidade que a concentração de renda, desmantelou brutalmente a perspectiva da justiça na divisão da riqueza, tornando o homem prisioneiro da sua própria ânsia e de seu ego irredutível.As atitudes do homem estão à prova, verificamos que a sociedade vem aceitando normalmente verdadeiros absurdos, concebendo a anarquia literária através da falsa cultura, o delito de seus filhos quando da aceitação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, se drogando, vazios, a prostituição regulamentada como profissão, a dissolução do casamento, a banalização da violência, do sexo e a divulgação da nudez, a insolvência da dignidade, a perda do amor ao próximo e a descrença da palavra de Deus, são atitudes insensatas que desqualifica a criatura humana diante dos próprios animais irracionais.

OS MEIOS DE COMUNICAÇÕES cressem com grande velocidade diante do mundo.Acreditamos que o mundo está totalmente globalizado através das comunicações: a televisão, o rádio, o telefone, o fax e a internet, inclusive, com a ajuda de satélites. Os sistemas de comunicações em massa podem estabilizar ou desestabilizar qualquer nação, povo ou sociedade. O mundo vem assistindo as mudanças e aceitando os predicados da divulgação dos ensinamentos falsos. A internet, esta poderosa rede mundial de computadores, divulga para o mundo, informações sem limites e controle. É nessa mídia cuja velocidade é real, que existem milhares de páginas pornográficas e de ocorrências de atitudes insanas transmitidas em tempo real, conseguem ocupar espaços relevantes para recrutar internautas ingênuos e desavisados dos perigos que os envolvem.

A GUERRA sempre conviveu com a humanidade, mais nos dias atuais é diferente, estamos vivendo momentos difíceis, na expectativa de uma guerra globalizada (Terceira Guerra Mundial), em que as conseqüências são imprevisíveis e devastadoras. Os Estados Unidos apoiado pela Inglaterra invadiram o Iraque. Afinal qual o objetivo dessa guerra? Qual o fundamento existente e com qual direito um país tem para invadir o outro? O homem não aprendeu que a cordialidade é a ferramenta mais eficaz existente no mundo? Os americanos afirmam que o motivo da guerra é político e bélico. Afirmaram que o Iraque possuía armas de destruição em massa e que, partindo desse principio, foi uma ameaça em potencial ao mundo.Além dos confrontos no mundo já exposto, nos deparamos, diariamente, com as guerras urbanas, provocadas por péssima distribuição de renda, da incapacidade dos políticos e governos implementando políticas erradas não fundamentadas nas áreas sociais e não preparadas no contesto revolucionário dos projetos na área social,cultural e educacional. A incompetência tardia destes fatores é que, infelizmente, invade a sociedade de paradoxo do medo e do mal trato. Sofremos junto aos desempregados, favelados e mortos vivos.

O DINHEIRO é a maior causa do materialismo, é através do dinheiro que a humanidade se tornou escravizada, vulnerável e corrompida. O dinheiro tornou o homem refém da busca insensata da satisfação da sua ânsia geralmente egoísta. A crise mundial existente é a maior de todos os tempos que dispensa qualquer proguinostico, tudo proveniente do implemento de políticas monetárias caducas e insatisfatórias, resultado de uma verdadeira desordem financeira mundial onde os mandatários simplesmente não sabem o que fazer para debelar esta anomalia que contaminou o mundo causando danos em nível global iniciada por um calote hipotecário dos senhores americanos. Esta situação perigosa afeta principalmente a população de baixa renda refém do desemprego e amargando o monstro da recessão. No mundo moderno o dinheiro se tornou o principal alvo de especuladores, corruptos e corrompidos, narcotraficantes, assaltantes, ladrões e meliantes de toda qualidade. As existências da pobreza, das favelas, das guerrilhas urbanas e da fome são devidas uma concentração de renda cruel e extremamente injusta, onde existe a minoria que é rica e a maioria que são pobres e não tem nada. A Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou nota afirmando que existe mais de dois (2) bilhões de pessoas no mundo passando fome. Os paises ricos e poderosos resolveram acabar com a circulação do dinheiro no mundo, motivo: o alto custo de sua fabricação, o avanço incontrolável do comércio das drogas, o aumento da corrupção, o aumento da criminalidade e a péssima distribuição de renda são os argumentos básicos que estes paises encontraram para mudar as políticas com relação ao dinheiro. Verificamos ao longo do tempo que o mundo vem sendo dominado por paises ricos chamados de GRUPO DOS OITOS PAISES MAIS RICOS DO MUNDO (G8). Os paises deste grupo controlam as finanças e a economia dos paises subdesenvolvidos, através de um organismo denominado de FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL (FMI). Esta instituição criada pelos Estados Unidos é responsável pelo monitoramento do dinheiro no mundo.Entendemos que esse processo de uma nova ordem político monetária mundial vem sendo implementado há algum tempo pelo G8, para acabar com a circulação do dinheiro, a saber:
1-O CHEQUE é uma ordem de pagamento a vista inventada pelo homem para suprimir ou acabar com o grande fluxo de dinheiro em circulação. Esta invenção tornou a economia mundial competitiva e desonerada, fez com que as instituições financeiras chamadas de BANCO, controlassem e servissem de instrumento necessário para o desenvolvimento dos paises, da sociedade e das pessoas. O tempo passou e essas instituições se tornaram alvo predileto dos assaltos milionários das quadrilhas organizadas, da lavagem de dinheiro de diversas facções criminosas e de contas milionárias produto da corrupção, além dos juros altíssimos praticados, tornando a população mais pobre e desesperada. O mundo e as pessoas se tornam refém dessas instituições, que aplicam juros baixos para os paises ricos e muitos altos para os paises pobres.
Face ao exposto o cheque se tornou inoperante e desacreditado, seu uso se tornou arcaico e desaconselhável.
2-O CARTÃO DE CRÉDITO é um instrumento de transação financeira de compra a vista ou a prazo. Esta invenção vem sendo aceita em todo mundo, capaz de satisfazer a necessidade da economia das pessoas, servem de referencia na hora de acordos financeiros e econômicos.
3-O CARTÃO DE CRÉDITO GLOBAL é um instrumento com chip eletrônico (pequeno componente eletrônico capaz de armazenar milhares de informações) de transação financeira de compra e pagamento a vista e a prazo, vem sendo implantado em alguns paises do mundo, com objetivo de facilitar as relações do homem no habitar social que ele convive ou em qualquer lugar do mundo onde se encontre. É um instrumento de crédito universal que contém um chip eletrônico que pode ser rastreado ou monitorado por satélite. Este chip contém informações cadastral e pessoal de seu proprietário que facilita qualquer tipo de transação financeira entre as instituições envolvidas.
4-O CHIP IMPLANTADO NO CORPO DO HOMEM é uma experiência que vem sendo feita em alguns paises do mundo por cientistas altamente qualificados. Estas experiências, veio à tona para acabar de uma vez por todas com o dinheiro, o roubo e a clonagem dos cartões. A aplicação desta tecnologia consiste na implantação do chip através de uma pequena cirurgia na mão da criatura humana. Entendemos que esta alta tecnologia vai unificar as moedas dos paises e tornar o homem totalmente monitorado e comandado pelo estado através de seus governantes.




Temos que ficar atentos para que a surpresa não venha nos maltratar, roubar de nós a traquilidade. Porque a humanidade sempre ficou fragilizada diante de mandatarios maldosos e corruptos? Porque nós verdadeiros herdeiros da terra deixamos nos enganar por falsos gestores que sem sentimento algum nos submetem a provar do amargor de experiências estupidas, programas incossistentes e determinações enganadoras?

Meu amigo e amiga, que Deus te ilumine e guarde de todo o mal e que a tua vida seja um exemplo para os demais.

Autor: José Carlos Tibiriçá Pinheiro